Análise Semanal - 08.06.2008 Dinheirama - Novo Artigo Publicado - Valuation e Alguns Indicadores Fundamentalistas
Jun 10

plataforma.jpgOuvi hoje na CBN uma entrevista muito interessante com Alexandre Szklo, professor de planejamento energético dos programas de mestrado e doutorado da COPPE – UFRJ, de forma simples e muito didática ele explicou o que está por trás da disparada no preço do petróleo que vem ocorrendo nos últimos anos. Nos próximos parágrafos faço uma síntese do que ouvi na entrevista:

Oferta e demanda são sempre os principais responsáveis pelo comportamento de qualquer preço na economia, se o preço de determinado produto está subindo é porque temos mais agentes querendo comprar do que agentes querendo vender e o petróleo não foge a esta regra.

Os maiores importadores de Petróleo hoje no mundo são Estados Unidos, China e Índia, o primeiro devido ao estilo de vida de sua população, de alto poder aquisitivo e historicamente consumista ao extremo, tem um consumo per capita muito superior a média mundial porém hoje estável, não há grande aumento de demanda por combustíveis fósseis entre os americanos, já China e Índia com as transformações que vem ocorrendo em suas economias nos últimos anos vem despejando um número muito grande de novos consumidores no mercado, apesar do consumo per capita de sua população ser coisa de 10x inferior ao dos americanos, o seu número de consumidores é cada vez mais elevado.

China e Índia têm ainda um problema extra, seus governos vêm subsidiando o preço dos derivados de petróleo ao consumidor final, isso faz com que aqueles que queimam petróleo todo dia não sintam no bolso o valor elevado e consequentemente a demanda não seja afetada, com o consumo se mantendo crescente, ou seja, enquanto a política energética destes países estimular o uso do petróleo não haverá um alívio na demanda e isso fará com que os preços sigam elevados.

Lembro que quando começou o ciclo de alta dos preços, Alan Greenspan na época Presidente do FED, fez um pronunciamento dizendo que se os preços se mantivessem altos, novas tecnologias e produtos substitutos surgiriam ou seriam viabilizados, isso faria com que a demanda por petróleo arrefecesse e naturalmente o preço cairia, no entanto acho que ele não contava com os subsídios asiáticos, que artificialmente mantém os preços em patamares aceitáveis para suas economias, inibindo a inovação e a busca por novas soluções em energia.

Já pelo lado da oferta temos hoje um grande problema chamado Iraque! Enquanto a instabilidade impera em seu território, a produção de petróleo daquele que seria uma nova Arábia Saudita (aliada histórica dos americanos) no Oriente Médio, é pífia! Sabendo hoje os patamares que atingiram as cotações do Petróleo, não só para os americanos mas para todo o mundo, é fácil entender as razões que levaram George W. Bush invasão e derrubada de Sadam Hussein (que diga-se de passagem não era nenhum santo).

Caso o Iraque viesse a produzir de acordo com o seu potencial, a oferta de petróleo aumentaria e os preços perderiam a tendência de alta atual o que seria bom para todo mundo! Com exceção dos Países da OPEP que olham torto para essa possibilidade e receosos de que o ciclo de alta se encerre não aumentam a produção como poderiam.

Os argumentos são bem interessantes e afastam um pouco a teoria de que esta alta é apenas fruto de especulação no mercado de derivativos, indicando que devemos ter um olhar atento para a política energética de China e Índia e se há luz no fim do túnel para a questão do Iraque. É por estes Países que deve passar a solução para o ciclo de alta do petróleo que vivemos hoje.

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