Carteira Básica Jul.08 Uma Entrevista Antiga com Márcio Noronha
Jul 02

bear3.jpg Acho que todos aqueles que hoje tem algum dinheiro aplicado em ações devem estar apreensivos com as sucessivas quedas diárias do mercado, que temos vivenciado há praticamente 5 semanas.

Nestas horas gosto muito de estudar o passado, tentar entendê-lo afim de encontrar algum contexto que se assemelhe ao presente e assim ter alguma orientação de como melhor agir frente as dificuldades.

Resolvi então analisar o histórico do DJI, onde estudando seu gráfico vi que em 1982 ele iniciou uma tendência de alta que duraria até 1999. Até o final de 1994 essa tendência era guiada por uma linha com inclinação de aproximadamente 13%, ou seja, 13% de valorização média anual, já a partir de 1994 o DJI ganha força e sua valorização anual média passa a ser de 27% a.a.

O pico dessa tendência de alta se dá em dez/1999 em 11.750 pontos!!!! (Quem acompanhou as análises semanais vai se lembrar desse número, era o suporte que segurava as quedas do DJI até a semana passada!) A partir daí o DJI começa a lateralizar e depois a cair atingindo uma mínima em out/2002 perto de 7.200 pontos, aproximadamente 40% de queda em 3 anos. Quando começa a subir novamente até o fim do ano passado.

Resolvi então olhar melhor como se deu a mudança de tendência em 1999, uma vez que estamos também iniciando uma mudança de tendência no mercado americano. No fim de 1999 tivemos 2 pernas de baixa, a primeira com algo em torno de 13% e a segunda perto de 17%. Hoje, em 2008, temos 3 pernas de baixa, a primeira em torno dos 10%, a segunda em 15% e a terceira até aqui em 15%, os níveis de IFR são muito parecidos entre 26 e 28. Isto é um indicativo que temos uma boa probabilidade de iniciar um repique em breve, ou seja, não é hora de se desfazer das ações de sua carteira, pelo menos por enquanto.

Se olharmos o período mais crítico, entre 1999 e 2002, temos duas pernas de baixa de assustar, ambas perto dos 30%! A primeira em 2001 iniciada com o estouro da bolha das empresas .com e intensificada pelo atentado aos Torres Gêmeas em 11 de setembro e a segunda em 2002 influencia pelas fraudes contábeis e falência da Enron. A pergunta que não quer calar é: - Será que o momento da economia americana hoje é tão grave quando nos dois casos anteriores!?!? Aparentemente não, penso eu, não vemos empresas quebrando ou entrando em concordata como em 2001 e 2002.

Acho também importante observar que no ano de 2001 o DJI caiu 7% e em 2002 perto de 17%, em 2008 a queda já é de 15,5%, logo mesmo que tenhamos volatilidade, mais cedo ou mais tarde a coisa se acalma, as cotações voltam a subir, anulando pelo menos parcialmente os prejuízos.

Se eu estivesse fora do mercado, me manteria assim até que a coisa se acalmasse um pouco, caso estivesse comprado não sairia agora, pois probabilisticamente não devemos como cair muito mais.

Se nos focarmos no ponto de vista fundamentalistas, é praticamente unânime a opnião de que esta é apenas uma realização temporária e passageira com o mercado reagindo no segundo semestre. Como postei na semana passada as principais ações do mercado tem hoje upsides bem expressivos!

Sangue frio e muita cautela são essenciais neste momento.





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