Logo que comecei a operar no mercado de ações, “Os Axiomas de Zurique†foi um dos primeiros livros que li, achei genial e reforçou ainda mais aquela inquietação que sempre esteve presente dentro de mim, em buscar a independência financeira que não alcançaria como simples assalariado.
Pensei em fazer uma resenha, citando os principais Axiomas e alguns temas abordados no livro, mas senti que não conseguiria dar a consistência que desejava no texto, por fim percebi que a Introdução do livro cumpre bem o papel de apresentá-lo, resolvi então transcrevê-la aqui. É um pouco extensa para um post (pouco mais de 03 páginas) mas neste caso acho que vale a pena!
Quando for oportuno, nas análise postadas aqui no site, os Axiomas serão sempre lembrados, na tentativa de mostrar o quão atuais e pertinentes eles são.
Vejam o quebra-cabeça que é a SuÃça. Essa minha terra ancestral é um lugarejo pedrento, com uma área menor que a do estado do Rio de Janeiro. Não tem um centÃmetro de litoral. É uma das terras mais pobres em minerais que se conhece. Não tem uma gota de petróleo que possa chamar de sua, e mal consegue um saco de carvão. Quanto à agricultura, o clima e a topografia são inóspitos a quase tudo.
Há trezentos anos a SuÃça fica fora das guerras européias, principalmente porque, nesse tempo todo, não apareceu um invasor que realmente a quisesse.
Com tudo isso, os suÃços estão entre as pessoas mais ricas do mundo. Em renda per capita, comparam-se aos americanos, alemães e japoneses. Sua moeda é das mais fortes do mundo.
Como conseguem isto? Conseguem-no porque são os investidores, especuladores e jogadores mais espertos do mundo. O assunto deste livro é: apostar para ganhar. Isto talvez dê a impressão de que se trata de um livro para todo mundo. Não é. Claro, todo mundo quer ganhar; mas nem todo mundo quer apostar, e é aà que reside uma diferença da maior importância.
Muita gente, a maioria provavelmente, quer ganhar sem apostar. Este é um desejo perfeitamente
compreensÃvel, não há nada de errado nele. Na verdade, muitos dos mais antigos ensinamentos sobre a Ética do Trabalho frisam bem isto. Dizem-nos que correr riscos é uma tolice. Uma pessoa prudente não corre riscos maiores que os exigidos pelos termos básicos da existência humana. Viver bem é ganhar a vida com o suor do próprio rosto - algo meio aborrecido, talvez, mas seguro. Mais vale um pássaro na mão…
Bem, as regras do jogo são muito claras. Se você é contra o jogo por motivos filosóficos, encontrará pouca coisa útil neste livro - a menos, é claro, que ele mude a sua maneira de pensar.
Mas se não é totalmente contrário a assumir riscos razoáveis - melhor ainda, se gosta de se arriscar, como os suÃços gostam -, este livro foi feito para você. Os Axiomas de Zurique trata de riscos e de como administrá-los.
Se você estudar os Axiomas com a atenção que merecem, eles são capazes de possibilitar que ganhe mais apostas do que acreditava possÃvel. Vamos falar claro: com eles, você é capaz de ficar rico! Aqui se falará sobre apostas no sentido mais amplo. Você verá o mercado de ações mencionado com freqüência porque é daà que vem a maior parte da minha experiência, mas o livro não se limita a este grande supermercado de sonhos. Os Axiomas se aplicam à s especulações com mercadorias, metais preciosos, arte, antigüidades e imóveis; à s marchas e contramarchas do dia-a-dia dos negócios; aos jogos de cassino ou de mesa.
Em resumo, os Axiomas se aplicam a qualquer situação em que você arrisque dinheiro visando a ganhar mais dinheiro.
Qualquer adulto sabe que a vida é um jogo. Muitos, provavelmente a maioria, sentem-se bastante infelizes com este fato, e passam a vida buscando meios e modos de aceitar o menor número de apostas possÃvel. Outros, porém, fazem justamente o contrário, e, entre estes, os suÃços. Nem todos os suÃços exibem este traço, é claro, mas os que o exibem são em grande número. O suficiente, com certeza, para permitir generalizações sobre o caráter nacional dos suÃços, que não se transformaram nos banqueiros do mundo for ficarem escondidos em quartos escuros, roendo as unhas, mas por enfrentarem riscos cara a cara, e tratando de descobrir meios de administrá-los.
Do alto das suas montanhas, os suÃços olham o mundo à volta e vêem-no cheio de riscos. Sabem que é possÃvel a uma pessoa reduzir ao mÃnimo os riscos que corre, mas sabem também que, se fizer isto, tal pessoa estará abandonando toda esperança de vir a ser algo mais que um rosto na multidão.
Na vida, para qualquer espécie de ganho - em dinheiro, em estatura pessoal, o que quer que se defina como “ganho†-, você tem de arriscar um pouco do seu capital material e/ou emocional. Tem de comprometer dinheiro, tempo, amor, alguma coisa. Esta é a lei do universo. A não ser por pura sorte, não há como escapar.
Nenhuma criatura na face da terra está isenta de obedecer a esta lei impiedosa. Para virar borboleta, a larva precisa engordar, é obrigada a se aventurar por onde há passarinhos. Não tem apelação: é a lei.
Observando isto, os suÃços concluÃram que a maneira sensata de levar a vida não é fugindo aos riscos, mas expondo-se deliberadamente a eles. É entrar no jogo. Apostar. Mas não à maneira irracional da larva. Ao contrário: apostar com cautela e deliberação; apostar de maneira tal que grandes ganhos sejam mais prováveis que grandes perdas - apostar e ganhar.
É possÃvel isto? Com toda certeza. Existe fórmula para conseguÃ-lo. “Fórmula†talvez não seja a palavra adequada, uma vez que sugere ações mecânicas e ausência de opções. Melhor seria dizer “filosofiaâ€. Essa fórmula, ou filosofia, consiste de 12 profundas e misteriosas regras para se assumirem riscos, os chamados “Axiomas de Zuriqueâ€. Atenção: ao primeiro contato, os Axiomas são um pouco assustadores. Não são do tipo de conselhos sobre investimentos que a maioria dos assessores costuma oferecer. Na realidade, contradizem alguns dos mais estimados clichês da indústria do aconselhamento financeiro.
A maioria dos especuladores suÃços bem-sucedidos dá pouca atenção aos conselhos convencionais sobre investimentos. O sistema deles é melhor. A expressão “Axiomas de Zurique†foi cunhada num clube de suÃços que operavam em mercadorias e ações,
e que se estabeleceu à volta de Wall Street, depois da Segunda Guerra Mundial. Meu pai foi um dos fundadores. Bem, não era exatamente um clube, pois não tinha estatutos, não se pagava mensalidade nem havia lista de sócios. Era apenas um grupo de homens e mulheres que se davam bem, queriam ficar ricos e partilhavam da convicção de que ninguém jamais ficou rico através de salário. Encontravam-se de vez em quando no Oscar’s, no Delmonico e em outros bares de Wall Street. Esses encontros continuaram através das décadas de 50, 60 e 70.
Conversavam sobre muitos assuntos, mas principalmente sobre riscos. O trabalho de codificar os Axiomas de Zurique começou com uma pergunta que fiz a meu pai e ele não soube responder.
Meu pai era um banqueiro suÃço, nascido e criado em Zurique. Na certidão de nascimento, seu nome era Franz Heinrich; na América, porém, todos o chamavam Frank Henry. Quando morreu, há alguns anos, seus obituários deram grande destaque ao fato de que ele dirigia a sucursal de Nova York do Schweizerbankverein – o gigante financeiro de Zurique, a União de Bancos SuÃços. O trabalho era importante para ele, mas uma vez me disse o que realmente queria gravado na sua sepultura: “Ele apostou e ganhouâ€.
Começamos a conversar sobre especulação quando eu ainda estava no secundário. Ele pegava o meu boletim e reclamava que o currÃculo era incompleto:
- Não ensinam aquilo de que você mais precisa: especulação. Como correr riscos e ganhar. Um garoto se criar na América sem saber especular… puxa… é o mesmo que estar numa mina de ouro e não ter uma pá.
Quando eu estava na faculdade, e depois, prestando serviço militar, tentando decidir o que fazer na vida, escolhendo carreira, Frank Henry dizia:
- Não pense apenas em termos de salário. Ninguém fica rico através de salário, e há muita gente que fica pobre. Tem que ter mais do que isso. Algumas boas especulações, é disso que você precisa.
Enfim, uma conversa tipicamente suÃça. O fato é que absorvi essas coisas como parte da minha educação. Quando dei baixa, com algumas centenas de dólares de soldos atrasados e ganhos de pôquer, segui os conselhos de Frank Henry e passei longe das cadernetas de poupança, pelas quais ele nutria o mais profundo desprezo. O dinheiro foi para a Bolsa de Valores. Ganhei um pouco, perdi um pouco, e acabei saindo mais ou menos como havia entrado.
Enquanto isto, na mesma Bolsa, Frank Henry fazia um carnaval. Entre outros negócios, ganhou uma fábula numas ações de minas de urânio no Canadá, loucamente especulativas.
- Como é que se explica isso? - perguntei, chateado. - Eu invisto com toda a prudência e não acontece nada.
Você compra pastagens de alces e fica rico. Há algo que não estou percebendo?
- É preciso saber fazer a coisa - disse ele.
- Tudo bem. Então, me ensine.
Meu pai ficou me olhando, calado, pensando.
Como fiquei sabendo depois, o que ele tinha na cabeça eram regras do jogo especulativo, absorvidas ao longo de uma vida inteira. São regras que pairam no ar, entendidas mas raramente enunciadas, nos cÃrculos de banqueiros e especuladores suÃços. Tendo vivido nesses cÃrculos desde que conseguira o seu primeiro emprego de auxiliar de escritório, aos 17 anos, Frank Henry tinha tais regras entranhadas nos ossos. Mas não era capaz de especificá-las, nem de me explicar como funcionavam.
Conversou a respeito com outros suÃços que também operavam em Wall Street. Esses seus amigos tampouco sabiam exatamente que regras eram essas. Mas, a partir desse momento, tomaram a si a tarefa de isolá-las e classificá-las em suas mentes. Começou como brincadeira, mas, à medida que os anos passavam, a coisa foi ficando cada vez mais séria.
Criaram o hábito de questionar a si próprios e uns aos outros sobre as manobras especulativas mais importantes: “Por que está comprando ouro agora?â€, “O que o fez vender essa ação quando está todo mundo comprando?â€, “Por que está fazendo isto, e não aquilo?†… Obrigavam-se mutuamente a formular as idéias que os guiavam.
A lista de regras foi evoluindo aos poucos. Foi ficando menor, as regras mais aguçadas, mais bem formuladas com o passar do tempo. Ninguém se recorda quem criou a expressão “Axiomas de Zuriqueâ€, mas foi assim que as regras acabaram conhecidas, até hoje.
Nos últimos anos, os Axiomas não mudaram muito. Cessaram de evoluir. Tanto quanto se sabe, estão hoje na sua forma final: 12 Grandes Axiomas e 16 Axiomas Menores.
O valor deles me parece incalculável, e aumenta cada vez que os estudo - um sinal seguro de sua verdade fundamental. São ricos em camadas secundárias e terciárias de significado; alguns são friamente pragmáticos, outros beiram o misticismo. Não são apenas uma filosofia da especulação: são marcos para uma vida de sucesso. E enriqueceram muita gente.
Recomendo a leitura dos Axiomas de Zurique, uma leitura leve, fácil e muito interessante para quem deseja se situar melhor no mundo da especulação.
31/07/2008 12:09
gostei da introdução… vou comprar o livro o quanto antes…
a propósito, muito legal o blog, viu?
abraço
31/07/2008 17:34
Thiago… já li e recomendo mesmo… é uma leitura muito legal.
E obrigado pelo elogio!!
Abraço
9/12/2008 10:46
Não gostei muito do livro muito cheio de historinhas, muita encheção de linguiça..
10/12/2008 18:33
Fábio,
Apesar de divergente sua opnião é válida e respeitada.
Obrigado pelo comentário.