O grande desafio de qualquer um que invista no mercado de ações é saber a hora de sair, de encerrar posições e embolsar os lucros. Embalado pelo turbilhão de emoções que acompanha uma operação, o trader iniciante vai oscilar entre a euforia e a frustração ao acompanhar o dia a dia das bolsas. Influenciado por operações passadas onde obteve prejuízo, ou mesmo tendo auferido lucro, encerrou cedo uma posição e ficou de fora do mercado, vendo aquelas ações vendidas subirem ainda por várias semanas, em algum momento o trader vai se ver “perdido” e em muitos casos paralisado, sem efetuar as entradas e as saídas nos momentos adequados.
Muitos hoje devem estar perguntando: - O que eu poderia ter feito para evitar os prejuízos que tive com esse período de realização forte que a Bovespa vem enfrentando nos últimos meses??? A resposta a principio seria simples: - Você deveria ter seguido seu plano inicial, estabelecido quando abriu suas posições, determinado os stops e efetuado as saídas quando os stops foram acionados.
Mas a resposta mais difícil aqui é : Qual o melhor plano inicial??? Qual a estratégia que me permite aproveitar ao máximo os movimentos de alta e sair o mais cedo possível nos movimentos de baixa do mercado??? Este é o El Dourado que todos procuram e até hoje não encontrei ninguém que tenha uma resposta exata para esta pergunta, até porquê aquele que a encontrou certamente hoje só estará preocupado em como gastar a fortuna que acumulou. Porém acho que podemos fazer algumas considerações sobre esta pergunta….
O ser humano é fortemente influenciado pelas suas emoções, a forma como reage a determinadas situações de stresse e euforia, varia de pessoa para pessoa, de acordo com o perfil de cada uma e isto vai ser determinante para o seu sucesso no mercado de capitais. Alguns traders ou investidores tem aversão ao risco maior do que outros e estes não terão saída se não abrir mão de algum rendimento para evitar a volatilidade sempre presente, em maior ou menor intensidade, no mercado, já aqueles com maior tolerância ao risco poderão suportar melhor esta volatilidade, vendo seu capital oscilar bastante ao longo do tempo, porém sempre crescendo no médio ou longo prazo.
Voltemos aos períodos de glória da Bovespa, altas superiores a 10% a.m., com várias ações valorizando-se até 50% em 03 ou 04 meses, neste período o trader avesso ao risco efetuaria algumas entradas e saídas rápidas do mercado, obtendo lucro em suas operações, porém com aquela angústia de estar ganhando bem menos do que poderia, já o trader tolerante ao risco ficará comprado por maiores períodos de tempo, aproveitando as altas valorizações e vendo seu capital crescer forte e rapidamente, certamente estará eufórico e radiante.
Agora vamos analisar o período recente, com fortes desvalorizações num curto espaço de tempo, veremos a situação se invertendo um pouco, o trader avesso ao risco estará mais confortável, pois ficou a maior parte do tempo fora do mercado, fazendo operações curtas, tendo lucro em algumas e prejuízo em outras, mas preservando seu capital e satisfeito pois quando os bons tempos voltarem ele voltará a ter lucros mais consistentes novamente. Já o trader tolerante ao risco estará ansioso e preocupado, vendo seu capital se dilapidar rapidamente e vendo o mercado tomar de volta boa parte daquele lucro que auferiu no período de alta, para ele não importará que mesmo com essa realização ainda obtém um bom rendimento (superior ao da renda fixa) desde quando, lá atrás efetuou sua entrada no mercado, o que vai importar é que nos últimos 03 meses perdeu 20% ou 30% do lucro observado quando o mercado atingiu o seu pico.
Está é a primeira análise que qualquer um que se disponha a enfrentar o mercado de capitais deve fazer: Qual a sua tolerância ao risco??? Você se adaptará melhor a operações mais curtas, que preservem o seu capital, mas que reduzam os seus rendimentos??? Ou ficará confortável nos períodos de alta volatilidade e fortes quedas de curto prazo, porém seguro de que terá um bom rendimento no médio e longo prazo???
Entender essa particularidade é o primeiro passo saber como lidar com mudanças de tendências, como a que vivenciamos agora.