Análise Semanal - 12.10.2008 Análise Semanal - 19.10.2008
Out 16

Derivativos são instrumentos financeiros, que como sugere o nome, são derivados de um ativo real. Há hoje derivativos de ativos diversos como: ações, comodities (produtos agrícolas, minerais, etc…), câmbio, juros e mais uma sério de instrumentos mais “sofisticados†criados pelo mercado.

Não se sabe ao certo quando os derivativos foram inventados, há indícios que surgiram ainda na idade média, como forma de proteção para negociadores de mercadorias básicas da época.

A essência dos derivativos consiste na fixação do valor futuro dos ativos em uma determinada negociação e sua finalidade inicial é a de ser uma ferramenta de hedge para tanto para quem está comprando, como para quem está vendendo, de acordo com o caso. Um produtor de soja quando vai iniciar seu plantio não sabe em que patamar de preço estará o produto na época da colheita, muitas vezes o preço da soja cai nesse período e o valor auferido com a venda da colheita é até insuficiente para cobrir seus custos.

O produtor acima poderá então recorrer ao mercado de derivativos para fixar o preço de venda da soja no momento que inicie sua colheita, ficando livre do risco das flutuações que possam ocorrer, é verdade que se o preço no mercado disparar o produtor ficará limitado ao preço já fixado, porém estará segurado com relação ao risco dos preços despencarem.

Há também no mercado aqueles utilizam os derivativos como instrumento de especulação e alavancagem, buscando lucros elevados em curtos espaços de tempo. A maioria dos derivativos utiliza a alavancagem na sua operacionalização, ou seja, não é necessário dispor de todo o valor da operação para concretizá-la, mas apenas de uma margem, que muitas vezes não passa de 15% do valor total da operação, assim pode-se, por exemplo, efetuar operações com ações ou dólar que totalizem R$100.000, dispondo de apenas R$15.000.

Em geral os grandes lucros rápidos que alcançam determinados investidores e fundos de investimentos são devidos à estratégias que utilizam derivativos, porém em alguns casos certas pessoas acabam errando na mão e exagerando a dose, geralmente depois de um longo período de ganhos o investidor começa a sentir-se invulnerável e relaxa no controle de risco, até que uma mudança de tendência abrupta com alta volatilidade o pega no contrapé, muitas vezes levando todo o lucro acumulado e ainda boa parte do capital investido. Este é um mercado que onde se ganha fácil e onde também se perde fácil.

A atual crise americana nasceu com a utilização intensa de derivativos lastreados em imóveis, que a medida que valorizavam-se criaram uma riqueza, exagerada! que nunca existiu de fato e que em determinado momento evaporou, deixando dívidas impagáveis para diversos bancos mundo a fora.

Os derivativos hoje podem ser encarados com um remédio criado com a melhor das intenções se usado na medida certa, porém fatal em casos de overdose!





5 comentários to “O que são Derivativos?”

  1. Opções I - O que são e como funcionam? *

    […] talvez seja um dos mais populares e mais polêmicos derivativos operados no mercado de capitais brasileiros. Devido a falta de conhecimento e ao mal uso desta […]

  2. Elcio Cavalcanti dos Santos *

    o mar de rosas que se transformou em sinal de má gestão para muitas empresas, a dose não foi ministrada adequadamente como informou o artigo.

  3. André Motta *

    Certamente Elcio.
    Em vez de proteção as empresas sairam completamente do seu foco fazendo especulação com derivativos, subestimando a força da crise e acreditando demais na nossa economia doméstica.

  4. Gelio Justino *

    Quase entendi agora este tal de Derivativo! Mas dá para explicar melhor dando exemplos com relação a imoveis? Como conseguiram esta riqueza que evaporou-se afetando o mundo todo?

  5. André Motta *

    Gelio,

    No caso da crise americana, não foram criados derivativos ligados aos imóveis propriamente, mas sim títulos que eram lastreados nas hipotecas (financiamentos destes imóveis), quanto mais um casa se valorizada, novos títulos eram lançados atrelados ao novo valor da mesma, até que um dia os imóveis começaram a se desvalorizar, então uma casa que tinha $200.000 em títulos lançados, passou a valer $150.000 e os títulos começaram a ficar descobertos, com a inadimplência que veio a seguir os títulos pararam de ser honrados.
    O grande problema, foi que´uma infinidade de outros títulos eram lançados, um amarrado no outro, um banco lançava novos títulos dando aqueles que possuia como garantia e assim o risco se espalhou por todos.

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