Em 1980, Michael Porter lançou o livro “Competitive Strategy” (Estratégia Competitiva). Porter descreveu a estratégia competitiva como ações ofensivas e defensivas de uma empresa para criar uma posição sustentável dentro da indústria, ações que são uma resposta à s cinco forças competitivas, que o autor indicou como determinantes da natureza e grau de competição que cerca uma empresa.
As cinco forças competitivas poderiam ser descritas como:
- O número de concorrentes e a sua rivalidade em determinado momento;
- A facilidade ou não de entrada de novos concorrentes;
- O poder de negociação dos clientes ;
- O poder de negociação dos fornecedores;
- O aparecimento de produtos substitutos;
Empresas que estão estabelecidas em setores onde há forte concorrência (por exemplo varejo, supermercados) ou que haja poucas barreiras de entrada a novos concorrentes, em geral terão menores lucros do que empresas situadas em setores caracterizados por oligopólios ou monopólios (petróleo, mineração).
Uma das principais motivações para empresas se fundirem, ou adquirirem concorrentes é a de aumentar seu poder de barganha com clientes e fornecedores, afinal se uma empresa tem um grande volume de compras pode negociar preços melhores com seus fornecedores e se os clientes da mesma não têm muitas opções de onde comprar os produtos que necessitam, a empresa também terá maior poder na hora de estabelecer seus preços.
O frisson em torno do Etanol é um bom exemplo de como são importantes esses conceitos, apesar da perspectiva ser excelente para o produto, qualquer grande grupo pode construir usinas e produzir álcool, sua tecnologia é relativamente simples e seus métodos ainda bastante arcaicos, cada vez mais lemos notÃcias de multinacionais que estão entrando no setor. Além disso, temos o fato de que a tecnologia de produção do Etanol pode evoluir muito nos próximos anos, não há ainda um padrão e em poucos anos pode-se viabilizar a produção de Etanol a base de celulose, o que seria então das plantações de cana-de-açucar???
Na outra ponte, um exemplo atual e interessante hoje no Brasil é o do setor de fertilizantes, onde a demanda é cada vez crescente, a produção das empresas aqui estabelecidas supre apenas 1/3 das necessidades do mercado, sendo o restante suprido via importações. Internamente apenas 03 empresas concentram a quase totalidade da produção com baixÃssima concorrência entre elas e para ajudar recentemente Rússia e China estabeleceram barreiras para impedir a exportação de fertilizantes produzidos em seus territórios, pois suas demandas internas também são crescentes.
É de fundamental importância na tomada de decisão de comprar ações de determinada companhia estudar o setor em que a mesma está inserida, suas perspectivas, se há facilidade de entrada de novos concorrentes, se há perspectiva de evolução tecnológica que torne as plantas atuais obsoletas e outros fatores relacionados as 05 forças competitivas.
Segundo Porter praticamente 50% do sucesso de uma empresa está relacionado ao setor que a mesma está inserida e ao posicionamento estratégico da mesma dentro deste setor. É fácil visualizar que na bolsa, ações de mesmos setores em geral tem desempenho parecido, pensem nisso!

Recomendo a leitura do livro Economia da Estratégia, o Autor é o Besanko, muito bom e de linguagem fácil para quem deseja entender um pouco melhor sobre o assunto.