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A Vale e a Negociação dos Preços do Minério de Ferro

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Orgulho nacional e ícone do sucesso brasileiro entre as grandes empresas mundiais, a Vale do Rio Doce está sempre no foco da grande maioria dos investidores brasileiros, qualquer notícia sobre a empresa  [...]

 

 

Orgulho nacional e ícone do sucesso brasileiro entre as grandes empresas mundiais, a Vale do Rio Doce está sempre no foco da grande maioria dos investidores brasileiros, qualquer notícia sobre a empresa é logo alçada a top 5 dos principais sites nacionais sobre economia e finanças.  O momento atual não poderia deixar de ser diferente, visto que as negociações dos contratos de longo prazo de fornecimento de minério de ferro é motivo de apreensão para todos os acionistas da empresa.

O cenário deste ano é bem diferente de qualquer outro já vivenciado pela mineradora, não apenas por esta crise que até o momento ainda não se mostrou pior do que outras do passado, mas também pelo fato de a China ter se tornado o principal player mundial pelo lado das siderúrgicas, o que já no ano passado trouxe peculiaridades importantes para a negociação, como o acordo por um prêmio sobre o minério de Carajás (que tem maior teor de ferro), assim como um maior reajuste para as mineradoras australianas, que conseguiram incorporar o diferencial de preçodos elevados fretes presentes naquele momento, visto que estão bem mais próximas da China que do Brasil.

A situação da siderurgia mundial não é das melhores, com a Europa, os Estados Unidos e o Brasil apresentando queda superior a 40% na produção em relação ao mesmo período do ano passado, isto faz com que a demanda por minério destes países se retraia num patamar ainda superior a este, visto que neste caso as siderúrgicas priorizam a produção de aço via sucata, economicamente mais viável do que o minério.

A China então se mantém como o “motor” deste mundo, sua demanda é praticamente a mesma de 1 ano atrás, com viés de alta, logo os Chineses se sentem com a faca e o queijo na mão, agora seria a vez deles saírem por cima deste jogo. Uma certa desconfiança também paira no ar relativa ao recente salto nas importações, não só de minério, mas de outras comodities como celulose, aparentemente há um movimento de estocagem grande ocorrendo, resta saber se em alguns meses as compras não serão interrompidas para queima destes estoques como ocorreu no final do ano passado.

Tradicionalmente o minério de ferro é negociado em contratos de longo prazo, com preços fixos pelo período de 1 ano, no entanto esta alta demanda chinesa estimulou o desenvolvimento de um mercado spot, a vista, com preços flutuando de acordo com a demanda. No ano passado com a demanda alta, os preços foram na estratosfera, hoje estão sendo praticados perto de 30% dos preços dos contratos de longo prazo e tanto a Vale quanto suas principais concorrentes (Rio Tinto e BHP) estão se aproveitando deste mercado para vender aquele minério recusado pelos clientes tradicionais.

Esta negociação torna-se muito importante por causa de todos estes aspectos envolvidos, afinal se manterá o prêmio pelo minério de Carajás? Os preços dos fretes hoje são menos de 1 décimo do que foram no ano passado, então o frete contará a favor dos australianos?? Se manterá o sistema de contratos de longo prazo? Ou as negociações se esgotarão e todo o minério vendido à China será no mercado spot?? Como podem ver não temos uma simples questão de fixação de preço este ano, há muito mais na mesa!! E Eu como você acionista da Vale fico na torcida que o desfecho seja o melhor possível... para o nosso lado, é claro!

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Última atualização ( Ter, 05 de Maio de 2009 23:37 )