A leitura dos periódicos que trazem notícias sobre o mercado de capitais nas últimas semanas vem me trazendo a sensação de que se tratam de uma comédia, com predominância de uma boa dose de humor negro nos textos.
O momento atual é bastante singular nos últimos anos devido a crise que estamos vivendo, e começa a ficar claro o quão perdida está a sociedade sobre o que acontecerá mais a frente, isto começa a se refletir no noticiário, onde opniões contraditórias e divergentes começam a surgir aos montes, para se ter uma ideia no último dia 16 o infomoney publicou duas notícias sobre a Petrobrás, com intervalo inferior a 2h entre elas, a primeira se baseava num análise publicada no Wall Street Journal e recomendava fortemente a compra dos ADRs da empresa, a segunda já informava de um relatório do Credit Suisse onde o mesmo afirmava que o patamar atual das cotações das ações seria insustentável e uma correção iminente. Situações como esta colocam o investidor comum em um verdadeiro labirinto, e o pior nos levam a acreditar que nem os “experts” sabem direito o que estão fazendo.
O grosso das matérias que li nos últimos dias já afirma haver duas correntes de opniões sobre o ritmo de recuperação da economia, uns afirmando que o pior ainda está por vir, que a economia continuará em estado delicado por anos e que a falta de crédito, coração da crise, é um problema que continua sem previsão de solução no curto prazo, já outros afirmam que o pior já ficou para trás e que as medidas que vem sendo implantadas em todo o mundo em alguns meses começarão a surtir efeito, reativando a economia mundial, logo seria natural uma recuparação imediata das bolsas ao redor mundo, uma vez que as mesmas antecipam os ciclos de crescimento na economia real.
Fica a impressão de sempre, de que ninguém é capaz de prever nada em relação ao futuro com um mínimo de credibilidadade, há sempre duas ou mais correntes, com opniões divergentes e o tempo sempre acaba mostrando qual delas tinha razão, lançando ao estrelato aqueles que acertaram e ao ostracismo os que não tiveram a mesma sorte. Nunca li uma matéria ou artigo que mostrasse que há um economista, ou uma “escola”, que tenha consistência em suas análises e previsões no longo prazo, a grande maioria a mim parece ícones que estão na moda e que logo caem de volta no esquecimento.
No entanto não há como empresas ou fundos de pensão se posicionarem, através de seus planejamentos estratégicos, sem previsões de longo prazo, logo o trabalho dos economistas, mesmo impreciso, continua sendo fundamental para decisões de investimentos.
O mesmo pensamento se aplica aos investidores, pessoas física, que utilizam estratégias de acumulação e longo prazo, seu desempenho estará sempre atrelado aos ventos da economia mundial e seus reflexos sobre setores que a compõem, se a economia vai bem o rendimento de sua carteira de ações também irá e vice-versa.
É importante ter isto em mente ao se adotar este caminho, pois depois não vai adiantar ficar reclamando aos 04 ventos que a culpa dos prejuízos ou baixos rendimentos é dos analistas e economistas que não conseguem prever nada direito. Este foi um caminho fácil nos último anos, pode ser que não volte trazer novamente os mesmos bons rendimentos do passado, porém há outros que podem ser mais eficientes no novo cenário, no entanto um pouco mais difíceis, pois vão exigir um maior conhecimento das ferramentas de análise e maior empenho no acompanhamento do mercado, fazendo assim com que o investidor possa tomar suas decisões um pouco livre de notícias e análises como as citadas no início deste post.
Posted: 2009-04-21 22:52:51

angelo
said:
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... Acho que o momento pode ser muito oportuno para trades curtos com uma boa análise técnica e um bom acompanhamento das notícias, porém olho grande pode levar á grandes perdas. |



